terça-feira, 27 de abril de 2010

Praga by caracois-L (o resto)

Vou ter que resumir o resto da viagem num só post.
Os motivos são vários:
1) eu sofro "realmente" de amnésia. Ok, muitas vezes é uma amnésia selectiva, mas passado duas semanas do regresso, já não me lembro de tudo em detalhe (se é que alguma vez me lembrei...);
2) pessoas com trocos contados não têm grande coisa para fazer, muito menos para contar;
3) já me apetece falar de outras coisas, como velhos a fazerem-me propostas indecentes no trabalho, da minha dieta primavera-verão 2010, dos meus amigos que são todos atrasados mentais ou de pessoas estranhas que conheço em situações ainda mais estranhas.

Então, bora lá!

PRAGA BY CARACOIS-L (DIA 5)
Não se passou nada. Acho que estava calor e dormimos a sesta num jardim onde era proibido fumar. Jantámos no restaurante italiano do primeiro dia, estávamos de ressaca e cansadas.
Momento zen: depois de jantar ficámos à porta do hostel a fumar um cigarro. Apareceu um doido bêbado com ar de tarado, que não falava, mas que ficou ali parado a olhar para nós com cara de “vou-te comer”. Com um bocadinho de medo (mas só um bocadinho) decidimos entrar. O gajo era mesmo assustador. Entretanto em conversa com o segurança, ele diz que pelas câmaras de segurança viu que estava indivíduo tal e coiso a meter-se com as gajas à porta, nós confirmámos, achámos o gajo sexy (o segurança!) e sorrimos. Um pouco mais tarde lembrámo-nos de um certo concurso de peidos que tínhamos feito ali mesmo, à porta, a fazer cara de concentradas a cada peidola e com os casacos a abanar para afugentar o cheirinho. Implorámos aos Deuses para que o registo fosse só de vídeo e não de som…
E os “faxes”? A cada envio, um grito de dor era abafado! Papel assassino de rabos!

PRAGA BY CARACOIS-L (DIA 6)
Pessoas com pouco dinheiro já não jantam em restaurantes.
Pessoas com pouco dinheiro cozinham no hostel.
Pessoas como nós esquecem-se de comprar metade dos ingredientes que precisam.
Pessoas como nós e com pouco dinheiro, roubam ingredientes aos outros hóspedes quando eles não estão a ver, pedem um bocadinho de azeite e usam meia garrafa, usam os restos dos frascos de polpa de tomate de pessoas que não conhecem e ainda lhe deitam um bocadinho de água lá para dentro porque o que está agarrado às paredes do frasco também é bom, usam o queijo não sei de quem porque é mesmo esse o ingrediente que vinha agora a calhar e assim fazem o melhor prato que algum dia se confeccionou naquela cozinha.
E para quem se queixa que o roaming sai caro: experimentem mandar “faxes” na República Checa durante uma semana. Cheguei a pensar que ia precisar de cirurgia reconstrutiva quando chegasse a Portugal! Renova branquinho e fofinho com folha dupla… Oh saudades…

PRAGA BY CARACOIS-L (DIA 7)
Claudete e Sandrinha voltam de Viena. Passeámos durante o dia. Arrumámos as malas. No dia seguinte de madrugada (em férias, 7h da manhã é madrugada!) estávamos de regresso. Não mandei “faxes”: próxima cagada, só com o carinho do meu Renova a seguir!

PRAGA BY CARACOIS-L (O REGRESSO)
Acordámos cedo. Fizemos escala de 5 horas em Bruxelas. O “fax” queria sair, mas eu fiz birra e não deixei. Dormi em tudo quanto era canto. Sabia que assim que chegasse a casa, tinha que me sentar em frente ao computador a trabalhar.
E o avião aterra em Lisboa.
E a porta do avião abre para os passageiros saírem.
E entrámos no túnel de acesso ao edifício do aeroporto.
E as paredes do túnel estavam todas forradas com anúncios publicitários de papel higiénico Renova, de várias cores, com folha dupla, com folha tripla, com o raio que os parta e eu com uma vontade descomunal de dar liberdade à tripa!

E pronto. Assim acabaram as minhas primeiras férias de 2010!
Caracois-L

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Praga by caracois-L (dia 4)

A partir deste dia o grupo separou-se em dois. Eu, Deia e Bá ficamos as três em Praga. E lá fomos fazendo a nossa vidinha de turistas, mas só a partir da hora de almoço, que isso de acordar cedo quando se está de férias é uma heresia.

Planos para o fim do dia: ir conhecer o clube de jazz mais badalado de Praga. Tínhamos indicações de que era melhor reservar lugar. Passámos por lá ao fim da tarde. E à entrada estava um papelão pavoroso (uma folha A4 normal) com um preço absurdo (300 coroas = 12 euros) e sem direito a bebidas (oh gente doente, como pode????). Achámos que aquilo era completamente despropositado, tirámos uma foto para provar que estivemos à porta e voltamos ao hostel mortas de cansaço porque nos fartámos de andar nesse dia.

Sentámo-nos derreadas, com cara de besugos no sofá. Nem tínhamos forças para pensar em ir à procura de sítio para jantar. Mas Deus teve compaixão de nós. Uma das miúdas americanas lá do hostel veio meter conversa “ah e tal o que vão fazer hoje à noite? Nós vamos a uma festa, querem vir?”… E esticou-nos um folheto para as mãos. Quase chorámos de emoção. Por 390 coroas (nem chega a 16 euros), íamos a uma festa que começava num bar com bebidas gratis para as gajas durante duas horas, passava por mais 4 bares e acabava com entrada à borliu na disco dos gajos do rugby!!!! O período do bar aberto era das 20 às 22 horas, portanto, e como é lógico, despachámo-nos a correr, jantámos a correr e chegámos lá relativamente a horas.
E o ambiente era brutal. Cerca de 40 marmanjos, com vontade de apanhar uma valente bebedeira. E lá entrámos no espírito da coisa, todos em cortejo a passar por vários bares. O guia (sim, tinha guia e tudo!) avisou-nos que íamos parar no último bar antes de ir para a disco. E aquela rua pareceu-nos familiar… Olhámos bem e… o último bar era O BAR DE STRIP que a miúda do restaurante nos tinha indicado na primeira noite. Coitada… Eu disse que lhe ia partir a boca… O bar era simplesmente o máximo!!! Havia gajas descascadas, havia… mas só numa das salas e aquilo tinha (pareceu-me, porque eu já não estava em condições de fazer contas complicadas) mais 3 salas. Só não cheguei a pedir desculpa pessoalmente à miúda, porque não lhe cheguei a fazer efectivamente mal nenhum. Enfim…

E a festa foi o máximo até acabar. Tive uma amnésia terrível, mas as fotos mostram o suficiente.
Quanto aos “faxes”: comecei a entrar em negação.
Caracois-L

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Praga by caracois-L (dia 3)

Acordámos as três do costume, com as duas do costume já fora do hostel há várias horas. Levantei-me torta e zonza, a noite tinha sido pesada. E lá fui à minha rotina matinal. As “comunicações por fax” pediam para serem iniciadas. Cheguei ao “escritório” e aquele papel-lixa-cinzento-assassino-de-rabos sorriu para mim com ar de gozo… Recusei-me a entregar os pontos logo de manhã (2h da tarde, para ser mais precisa). O processo de engorda associado ao acumular de detritos sólidos no interior do meu corpo, provocou um aumento de volume abdominal progressivo ao longo do dia como nunca tinha visto em mim! Se isso me fez parar de comer e beber cerveja o dia inteiro? Pffff eu sou das duras, claro que não!

Entretanto, durante o almoço, tomámos a decisão dolorosa. O plano destas férias incluía uns dias em Viena. Mas tínhamos sido roubadas. Operação Viena abortada pelas três. A parte ainda mais dolorosa: comunicar a decisão às outras duas. E não foi bonito.

Este dia não teve muita história. Passeámos a tarde toda. Falámos as cinco. O ambiente não ficou o melhor. A Sandrinha e a Claudete decidiram ir a Viena as duas sozinhas, nós as três conseguimos arranjar quarto no mesmo hostel para o resto dos dias. Jantámos e decidimos não sair nessa noite. Ficámos na sala de estar do hostel a jogar às cartas. Apesar de tristes, lá nos entretemos a beber "algumas" cervejas e a ter conversas de índole sexual para adultos com mente muito aberta, em português, com gargalhadas em voz alta e sempre sem ninguém nos perceber. De vez em quando verificávamos a nossa segurança: “alguém aqui fala português?” Ninguém respondia, podíamos continuar. Até que entrou um grupo de gajos. O último era bem giro. Vinha de fato-de-treino. Empolgada pelo teor lúdico-absurdo-ordinário da conversa, lancei em voz alta para se ouvir bem em todo o hostel: “Já roçava a minha snaita nesse fato-de-treino!” E pelo canto do olho vi o fato-de-treino parar, virar-se para trás e fazer a cara mais escandalizada que vi em toda a minha vida. É… para além de não ter verificado a segurança com a pergunta mágica, eu disse "snaita", referindo-me à minha querida “Maria Francisca”, dirigindo-me a um homem que nunca tinha visto na vida e que por azar tinha que ser português! O buraco no chão que eu desejei que se abrisse por baixo de mim e que me engolisse não se abriu e ainda tive que levar com a cara do gajo a fazer-me sorrisos malandrecos nos dias seguintes.

Antes de dormir não aguentei mais e tive que me render à maior tortura física de que tenho memória em toda a minha vida e o meu rabo ameaçou-me de cortar relações comigo. E comecei também a desconfiar que os checos têm todos prisão de ventre ou rabos super-heróis. O uso diário daquele papel é incompatível com a vida. “Renova folha dupla, vou fazer-te um altar quando chegar a Portugal!
Caracois-L

terça-feira, 13 de abril de 2010

Praga by caracois-L (dia 2)

Ora bem! Era domingo de Páscoa. E eu acordei de ressaca. Portanto: até aqui, um Domingo de Páscoa normal.

Tal como no dia anterior, Sandrinha e Claudete levantaram-se mais cedo e foram passear. Eu, Deia e Bá ficámos na ronha. Quando nos dignámos a ir para a rua, Bá olhou para um restaurante ali perto e disse: “olha, apetecia-me mesmo uma omelete e estes aqui fazem…
Entrámos.
Acabámos por beber meio litro de cerveja cada uma, com goulash, pão, cogumelos panados, batatas cozidas, panados de frango, batatas assadas, molho não-sei-quantos… Ainda não sabíamos, mas a nossa campanha de engorda tinha começado naquele momento.

Fomos ter com as outras duas e decidimos ir visitar o cemitério judeu, onde pediam 300 coroas (cerca de 12 euros) para entrar! Opá não é que seja alguma fortuna, mas tínhamos sido roubadas no dia anterior, e eu espreitei lá para dentro e só se viam pedras empilhadas umas nas outras, e eu tinha que ter dinheiro para a cerveja (cada um tem as suas prioridades, ok?). Cria-se o impasse, umas querem ir, outras não sabem, outras dizem logo que não, os outros turistas a quererem passar e nós já de mão na cintura a discutir umas com as outras. Até que a discussão acaba quando eu abro a boca: “Opa, então eu posso ir ver as lápides da minha família à pala e não vou, e agora ia pagar pra ver as lápides dos outros todas ao monte?? Foda-se!” E nenhuma foi ao cemitério. Ainda não sabíamos, mas esta foi só o primeiro exemplar da colecção de frases "memoráveis" que se disseram nestas férias.

Fomos dar uma volta pela cidade. No dia anterior tínhamos atravessado o rio, andado de barco, subido ao castelo… O dia todo num virote. Hoje não nos queríamos cansar muito. Tínhamos uma festa reggae para ir nessa noite.
E fomos. A festa ficava num palacete qualquer, fora do centro de Praga. À chegada fui logo "mandar um fax" porque o jantar tinha sido pesado... E a festa era num Palacete, mas o papel-lixa-reciclado continuava o mesmo! O cú destes gajos deve ser revestido a titânio, para aguentarem com isto todos os dias! Que saudades do Renova!!!
Momento da noite: homem feio fala com Deia, Deia diz em português "man, tens os dentes todos podres, man!", o feio não percebeu nada, Deia sorriu, o feio sorriu de volta. Ainda não sabíamos, mas este foi o início da nossa maior diversão por terras checas: falar em português coisas abomináveis na cara dos estrangeiros, sabendo que eles não estão a perceber nada.
Balanço final: a festa foi de loucos! Apesar da amnésia, tenho fotos que o comprovam.

Festa acabada, apanhámos um taxi. A junção dos factores "estrangeiro", "álcool" e "taxi" às vezes não dá bom resultado... Limito-me a contar o diálogo no interior do veículo (exactamente como está escrito, o português em português e o semi-inglês em semi-inglês):
Bá: Babes, eu não tou a reconhecer este sítio...
L.: Foda-se eu também não...
Deia: Eu também não, mas acho que sim....
Bá e L.: Bêbeda de merda!!!
(E desatámos todas a rir como se não houvesse amanhã: podíamos estar a dar a volta à republica Checa de taxi, who cares? Bêbedas mas felizes!!!)
L.: Espera lá que eu falo com o taxista... olha lá oh cabrão, tu não me enganes tás a ouvir? tás a ir pra onde, caralho?
Bá e Deia: Acho que isto já é perto. Stop stop!!!
L.: Yeah! Stop!
Depois tentei agredir o taxista porque ele nos estava a dar 2 coroas a mais no troco. O meu cérebro tinha ficado retido na parte do "este gajo quer-nos enganar..."

Caracois-L
PS- para quem acha que nós não fomos passear e conhecer os monumentos e os etcéteras: nós fomos, mas essa parte das férias é igual às férias do resto das pessoas...

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Praga by caracois-L (dia 1)

Primeiro acordar em Praga!
Duas de nós deixaram o hostel mais cedo para ir tomar o pequeno-almoço. As três mais preguiçosas (eu incluída, claro) ficaram a fazer ronha. Fui “mandar um fax” ao WC e quando volto a Bá perguntou: "quanto dinheiro tens?" Eu não tinha o que pensava, ela também não, comunicámos com as duas que saíram mais cedo e elas também não. FOMOS ROUBADAS!!!! Fomos à recepção apresentar queixa e o rapaz do balcão (muito bem-parecido, por sinal) chamou a polícia, indicando que nós só falávamos português ou inglês. Disse-nos que eles iam chegar dentro de 20 minutos. Esperámos, esperámos… E uma hora depois chegou um polícia que só falava checo, cheio de papéis para preenchermos, sem conseguir pronunciar os nossos nomes de forma perceptível, mas… com máquina fotográfica! Não voltámos a ver o nosso dinheiro, mas as fotos das nossas camas desarrumadas com roupa interior exposta e toalhas de banho atiradas por todo o lado, constam dos arquivos de uma esquadra de polícia na República Checa!

Não valia a pena dramatizar. Fomos passear o resto do dia. Comemos em tudo quanto era sítio. Bebemos cerveja como se não houvesse amanhã.

Entretanto, Claudete e Sandrinha queriam ir àquela que é supostamente uma das maiores discotecas da Europa. Karlovy Lazne, com 5 pisos, cada um com um tipo de música diferente. Antes ainda fomos a um bar beber um copo, onde havia uma pista de dança, onde passou Gipsy Kings (matem-se), onde as checas tentavam dançar, onde nos rimos da figura que elas fazem. Para aquela gente o ritmo da música não interessa nem um bocadinho, o que conta é mexer-se freneticamente com néons imaginários na testa a dizer “hoje quero foder”.
E lá fomos ao Karlovy Lazne, onde tínhamos que pagar para entrar, e onde pagámos e entrámos… E de repente estávamos em Tóquio, debaixo da terra, em 2085. O ar era pesado, mesmo no último piso, as pessoas eram estranhas. Havia máquinas de fumo com pessoas claramente sob o efeito de drogas desconhecidas a dançar uma música qualquer menos a que estava a passar e a levar com o dito fumo directamente nas fuças. Havia jogos electrónicos projectados numa tela onde pessoas ainda mais drogadas apanhavam borboletas virtuais com as mãos... Quase em pânico, subimos até ao último piso… e decidimos começar a descer… até pararmos onde?... na cave, claro! E aí voltámos a entrar na máquina do tempo: Bronx, 1998. E no meio das centro-europeias que tentavam abanar o rabo e as mamas que não têm, a um ritmo 10 vezes mais rápido que o da música de pretos de há 10 anos atrás que o DJ ia passando, fomos rainhas! E de repente vemos um rapaz grande giro, e mais outro, e mais outro, e mais outro e tantos…. A equipa de rugby do avião estava toda ali, de banho tomado, com camisolas da selecção da Bélgica (e eram mesmo, o Google confirmou com fotos). Ou o banho deles foi milagroso ou a cerveja checa é alucinogénica, mas todos eles, até os muito feios, agora eram no mínimo “engraçadinhos”! Passado uns momentos olharam para nós, comentaram qualquer coisa, riram-se para nós, aproximaram-se… a conveniente amnésia da ressaca é uma coisa lixada, mas temos fotos que comprovam que fomos todos amigos de longa data por uma noite!

Mortas de cansaço, voltámos ao hostel para dormir. Ainda fui “enviar um fax”. Um envio longo… deu para pensar em algumas coisas. Em todos os WC que já tinha ido em Praga, o papel higiénico é reciclado. Oh que povo com preocupações ecológicas. Que se lixe que dancem mal e que as gajas do Karlovy Lazne estejam agora a pensar mal de nós. Invejosas porcas, mas que usam papel higiénico reciclado. Lindas meninas!
Segundos depois o meu rabo pensou mais alto: Foda-se! As saudades que eu já tenho do Renova de folha dupla! Que se foda a ecologia! Isto não é papel, isto é uma lixa!
Caracois-L

domingo, 11 de abril de 2010

Praga by caracois-L (dia 0)

Estive de férias!
Fui para Praga!
Podia eu ter umas férias normais?
Poder podia, mas… ai espera! Os gajos do anúncio é que dizem isto.
Não, eu não podia ter umas férias normais!

Passo então a contar as minhas férias. Um (longo) post para cada dia. Atenção aos detalhes, tudo tem uma explicação no fim. Ressalvo desde já, que tanto eu como as pessoas que me acompanharam na viagem, sofremos de distúrbios de personalidade gravíssimos.

A minha história começa com a minha saída de casa. Uma mala com 20kg a ser “carregada” por este corpinho de metro e meio desde o 2º andar de um prédio sem elevador até à rua, é espectáculo digno do circo Chen.

E lá nos encontrámos as cinco no aeroporto mais ou menos à hora combinada (eu atrasei-me, claro, mas culpei a mala!), e lá voámos até Bruxelas, onde fizemos uma escala de 3 horas. Fomos almoçar lá numa coisa de hambúrgueres, todas pediram um menu normal, todas pagaram um menu normal, eu levei um menu-mega-qualquer-coisa… Explicação lógica (para nós): a gaja do balcão não se enganou, simplesmente é lésbica. Ao nosso lado almoçavam 3 rapazes de grande porte, com camisolas cinzentas iguais com “rugby” escrito nas costas. Eram feios como uma noite de temporal. Não olhámos mais para eles. Até porque eu tinha pressa. Estava na hora de “ir mandar um fax” ao WC.

Chegada a hora do embarque para Praga, fomos para perto da porta de embarque. Aí estavam, contagem por alto, cerca de 15 rapazes de grande porte com as tais camisolas cinzentas. Alguns menos feios que outros. Passámos pela segurança antes deles e ainda ficámos a olhar bem para as medidas dos glúteos e perímetros torácicos de cada um deles, apontado para o “mais entroncado”, o “menos feio”, o “mais simpático”, através do vidro que nos separava. E olhámos mais um bocado, comentámos, apontámos mais um pouco… até que nos apercebemos que eles nos olhavam com caras incrédulas… Lição de vida: os vidros transparentes permitem ver, mas também que sejamos vistos.

Finalmente chegámos a Praga. Ainda no aeroporto fomos trocar euros por coroas checas, todas a trocar mais ou menos o mesmo valor, todas a demorar mais ou menos o mesmo tempo… menos eu. O rapaz do outro lado do balcão deu-me um talão qualquer, só a mim, para EU trocar as coroas que me sobrassem sem pagar mais taxas. Explicação lógica (para nós): há pessoas normais e há pessoas com o meu decote.

Primeiras actividades em Praga: fomos ao hostel dar entrada e fomos à procura de sítio para jantar. Escolhemos um dos 1500 restaurantes italianos de Praga e sentámo-nos. Bebemos um litro de cerveja cada uma, mas também conseguimos comer. No fim perguntámos à empregada do restaurante se conhecia um sítio para beber um copo e dançar um bocado. Muito prestável, escreveu um nome de um bar e a respectiva rua num papel. Procurámos, procurámos e encontrámos… numa cave, um bar de strip feminino, cheio de gajas descascadas. Não sei se as orelhas da dita empregada caíram ou não, mas que a ofendemos a ela e à família e ainda planeámos vingança, lá isso fizemos! Procurámos outro sítio e acabamos a beber um copo num bar que ficava numa cave, enquanto assistimos ao vivo a rituais de acasalamento, até aquele momento totalmente desconhecidos para nós, entre pessoas feias, pessoas muito feias, pessoas esquisitas e outras de aparência não-humana.

Com um misto de “oh Deus que merda foi esta?” e a esperança de que houvesse algo mais na noite de Praga para além de coisas paranormais, voltámos ao hostel para dormir. Eu ainda “fui mandar mais um fax”.
Caracois-L

sábado, 27 de março de 2010

"Mas o que é isto?"

Ora... Como hei de contar isto... Hmm... portanto... Cá vai! :)

Sexta feira de folga... Plano: Jantar com o namorado e talvez um cineminha!

Fui jantar com o meu namorado a um daqueles restaurantes que funciona com buffet. Portanto e como qualquer pessoa normal, levantei-me e fui encher o meu prato com tudo a que tinha direito. Quando o empregado me estava a servir a carne, senti um pequeno puxão. Não liguei! Nisto oiço um burburinho... "mas o que é isto?"... Mais uma vez, não liguei... E senti novo puxão!
É então que uma das empregadas diz mais alto: "Mas o que é isto? Que fios são estes?", e oiço um cliente que está a entrar a responder: "É uma senhora que está a perder o vestido!".
Já com o meu prato servido, viro-me e deparo-me com uma empregada presa no meio de fios... E o puxão continuava. Pousei o prato sobre a mesa e ajudei a dita empregada a sair do meio dos fios.

Então... voltando um pouco atrás... Quando me levantei para me ir servir, uma fita do meu vestido ficou presa sei lá eu onde. Cada passo que dava deixava um rasto atrás de mim. O maldito fio do vestido foi tecendo uma teia enquanto se destruía, deixando a empregada presa no meio da tal teia!
Foi então que percebi que... a tal "senhora que está a perder o vestido" era nada mais nada menos que EU!!!
Se houvesse um buraco para me enfiar, eu teria agradecido. :$

Esta é então a prova de que não é apenas à Caracol- L que acontecem coisas surreais em restaurantes!!! :p

(Talvez nunca devêssemos ir a restaurantes! ;p)

(Caracois-S)

sexta-feira, 19 de março de 2010

foi assim um dia normalzito

Comecei o dia a chegar tarde ao trabalho. Depois de comer o donuts, de beber o néctar e de beber o café, fui fumar o cigarro. E enquanto fumo, surge do nada um senhor com aparelho auditivo. E o senhor, com sotaque de pessoa com aparelho auditivo, pergunta se aquele elevador dava para ir para a terapia da fala. E eu respondo ao senhor do aparelho auditivo que não sabia se aquele elevador dava ou não. E o senhor do aparelho auditivo diz: ai tá avariado? Tá bem. E entre o controlar de um ataque de riso que fez saltarem 5 lágrimas em cada olho, o pensamento malicioso que ele precisava de ir era à “terapia do ouvido” e a mensagem cósmica de que a ala oeste da minha mansão no inferno estava concluída, não consegui explicar ao senhor do aparelho auditivo que não era nada disso que eu tinha dito e ele foi embora…

Depois estava a fazer o meu trabalho. Velhinho simpático e engraçado, conversa animada, até que ele saca da sua mão, dá-me um valente apalpão na mamoca direita e diz que me dá 100 euros se eu lhe fizer um br**** (eu sei que não costumo ter problemas com palavrões, mas este arrepiou-me e até o facto de escrever a palavra toda dá-me voltas ao estômago). Neguei as vezes que foram precisas até acabar o que estava a fazer… ou melhor, até ele desatar aos gritos que eu era uma burra teimosa. Enfim… E não, eu não trabalho numa esquina nem numa rotunda e tenho uma farda de trabalho que me tapa desde os joelhos até ao pescoço!

E depois saio do trabalho e vejo uma senhora em camisa de noite com ar “feira de Carcavelos”, com um robe com ar “loja dos chineses”, de almofada debaixo do braço, tudo em tons de rosa-cueca, e com sapatos pretos de salto agulha.

Depois cheguei a casa, esqueci-me outra vez de ir às compras, dormi a sesta até às 21 horas e jantei vários bollycaos pela segunda noite consecutiva.

Queria concluir algo útil e construtivo com base no dia de hoje… mas não consigo.
(Caracois-L)

quarta-feira, 10 de março de 2010

mais uma 'pró' currículo

Tive um daqueles dias do cocó!
Trabalhei desde as 23h. Logo ao início do turno uma velhinha demente disse-me "vá para casa, não gosto de si". Devia ter seguido as suas palavras. Mais tarde sussurrou-me "já lhe disse o que tinha para lhe dizer". Devia mesmo ter seguido as suas palavras.
Mas não.
Continuei.
Trabalhei 16 horas. Ainda combalida pelos efeitos de uma colónia de bacteriazitas ordinárias que decidiram reproduzir-se desenfreadamente nas minhas vias respiratórias. Agora combalida com uma diarreia tipo "sai da frente que eu quero passar!", provocada pelas relações nada amistosas entre o meu intestino e antibióticos. Cada vez com mais sono, com erupções cutâneas de mau humor e com um grau de demência quase tão bonito de se ver como o da doce velhinha.
Dia de trabalho quase a terminar e alguém me pergunta, após uma conversa sobre a essência da vida e outros problemas da humanidade, dos quais ninguém se lembraria de falar comigo nunca na vida, quanto mais no fim de um dia como este:
ENTÃO E COMO VAI DE AMORES?
Sorri, fiz um olhar doce, disse que estava tudo muito bem, tenho a sensação que até suspirei no fim...

Oh Sandra Bullock, anda cá minha cabra que essa merda dessa estatueta afinal é minha!
(Caracois-L)
PS: visão positiva, hoje aprendi que afinal até sou uma mentirosa exímia. Mais uma nota a registar no meu currículo.

domingo, 7 de março de 2010

um dia, quatro posts

Quem não tem mais nada de jeito para se entreter (e luta interiormente para nao sair da cama e ir assaltar o frigorífico, consumida pelo medo de ser apanhada em delito, como se a comida que está lá dentro fosse de outra pessoa, apesar de saber que vive sozinha) inventa coisas destas.
(Caracois-L)

um dia, três posts

Confesso que não tenho nada para dizer.
Mas quando escrevi o post anterior, lembrei-me que vir um logo a seguir com este título era bonito. E é quase meia-noite... Por isso cá vai.
Estou ranhosa, um pouco febril, rabugenta e comi demais. Já tomei tudo o que tenho cá em casa para as constipações, ou seja, fui buscar 2 pacotes de lenços de papel.
Amanhã vou ter que ir trabalhar assim e vou trabalhar mais do que devia e certamente muito mais do que me apetecia.
E é o que temos.
(Caracois-L)

um dia, dois posts

É sabido que uso a cozinha como anti-depressivo.
Rolo de carne recheado com cebolinhas e alheira, acompanhado com salada de rúcula, alface roxa e laranja, com tortas de azeitão (estas foram compradas, obviamente...) para sobremesa.
E mais não digo.
(Caracois-L)

para reflectir...

Este fim-de-semana, em conversa amena com amigos, ouvi a seguinte frase a respeito de uma mulher que não conheço:

Ela até é gira… mas a nível espiritual… epa… não tem bagagem nenhuma.

Obviamente pedi que se explicasse...

Assim como já usaram calças à boca-de-sino, bigodes farfalhudos ou roupa interior em forma de saco de batatas e com padrão de cortinados, eu tenho fé que esta é só uma fase negativa e passageira na existência do sexo masculino e que um dia os homens voltarão a falar em linguagem perceptível para as mulheres.

O mítico “a gaja é boa, mas burra como a merda” é bronco.
É, sim senhor.
Mas não deixa dúvidas.
(Caracois-L)

segunda-feira, 1 de março de 2010

assim se vive ao ritmo da L.

Sexta-feira a fechar mais uma semana daquelas. Dormi a sesta à pressa para ir ao jantar de despedida da amiga que vai mais uma vez para Angola. Sem tristezas, nem conversas do "vou ter saudades tuas". Porque não é preciso tê-las (as conversas), mesmo porque sabemos que vamos tê-las (as saudades). Consegui, mais uma vez, fazer voar coisas durante o jantar: desta vez um copo de cerveja, que sujou toalha, chão e parede... Rimos todos juntos até "às tantas". Ainda herdei uma planta para não deixar morrer (está prometido!) e uma mini-ressaca para a manhã seguinte.

Sábado, acordei ao meio dia, com o despertador para a uma da tarde, com uma tatuagem marcada há 1 mês para as duas da tarde. Porque acordei mais cedo? Porque uma amiga telefonou para saber se eu estava nervosa. Se estava? Claro que sim! Mas só me ia lembrar disso quando acordasse e assim sofri de ansiedade (vulgo "cagunfa") mais uma hora do que o planeado. Ia fazer a tauagem com duas amigas, uma "acagaçou-se" à última da hora, a outra despachou-se mais cedo que eu, eu fiquei a sofrer durante uma hora, sozinha, nas mãos de um homem desconhecido com luvas e instrumentos de tortura tenebrosos. Saí de lá toda dorida, com um temporal tropical mas sem calor na rua, a ligar à mãe para contar que "a obra de arte para sempre nas minhas costas" estava feita, enquanto tentava controlar o chapéu-de-chuva e a minha vontade de descer a rua para ir comprar os Tiger que estavam na montra de uma loja já ali ao lado. Cheguei a casa, esperei as duas horas para tirar o penso, tirei o penso, tirei fotos à tatuagem e dormi a sesta à pressa para ir jantar ao Tágide. Restaurante caríssimo e finíssimo, incluido no restaurant-week, onde podíamos ter jantado por 20€, onde nos entusiasmamos com o vinho e onde acabamos a pagar 50€ cada um... Pelo menos, não encarnei a minha personalidade de artista de circo e nem loiça nem comida ganharam asas à minha conta. Saímos do restaurante já era Domingo...

Domingo (já passava da meia noite, portanto...), festa do teatro da comuna, dança, gin tónico. Acabou cedo... Jamaica, dança, cerveja. Tinhamos fome. Hamburguers. Palhaçada na rua. Cama depois das 7h... Voltei ao mundo às 19h. Jantei. Tinha dores nas pernas. Voltei para a cama.

Segunda-feira. 2h40. Já começou a semana. Outra vez. Não tenho sono. Outra vez. Amanhã vou estar o dia todo com cara de ananás. Outra vez. Se foi desta que aprendi que os fins-de-semana também podem ser usados para descansar? Não! Mais uma vez.

Caracois-L
PS: amo tanto a minha vida!

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

caso clínico

“Oh Dr. precisava que visse aqui uma coisa.”

Sempre com a mania que tem que dar ar de quem é muito atarefada, avançou rapidamente para o laboratório, certa de que o Dr. iria segui-la até lá. E ele lá foi, a metade da velocidade dela, porque já tem estatuto para andar devagar durante o horário de trabalho. Ela lá entra no laboratório a uma velocidade alucinante. E ela lá faz a curva à mesma velocidade alucinante. E de repente, os pés dela pisgam-se em auto-gestão para o ar até ficarem à mesma altura da sua cabeça…
“oh foda-se, enceraram o chão!”
O seu corpo cai desamparado em prancha no chão sujo, apesar de encerado, do laboratório, não sem antes dar uma valente cacetada com a cabeça num frigorífico em ferro maciço, topo de gama em 1963.
“foda-se, ele deve vir já aí!”
Levanta-se rapidamente, abana a cabeça, o que dói logo se vê, agora há que manter a postura. O Dr. entra e ela já está semi-de-pé, ainda agarrada ao frigorífico, meio-despenteada e com os olhos torcidos.

Freeze
Sem a introdução prévia, a interpretação deste quadro seria: menina má acabou de fazer sexo louco no laboratório, viu que o chefe estava a chegar e escondeu o amante dentro do frigorífico.

Des-freeze

Ela nem o deixa falar “acabei de cair, tou bem e o que eu lhe queria mostrar era isto…”
Uns minutos depois sente o cabelo pesado, passa com a mão na nuca para ver o que poderá ser, sente um galo do tamanho de uma avestruz e o cabelo está molhado. Olha espantada para a mão coberta de sangue, chama cabrão ao frigorífico e puta à empregada da limpeza, chama o chefe e diz “oh Dr… afinal…” enquanto lhe mostra a mão ensanguentada e põe um sorriso palerma.

Freeze
Sem a introdução prévia, a interpretação deste quadro seria: matei-o, mas foi sem querer…

Des-freeze

Fazem-lhe um penso. Colocam-lhe uma ligadura à volta da cabeça. E por meia hora ficou em tudo parecida com o Nuno Gomes depois de abrir o sobrolho, com o devido curativo aplicado e de volta ao campo, com tufos de cabelo desgrenhado a saltarem por cima e por baixo da bela ligadura branca. Discutem o procedimento a seguir, ela deixa bem marcada a sua posição no processo “desde que eu chegue a casa e possa lavar o cabelo, não quero saber do resto”. Acabam por lhe dar “2 pontinhos”. Ela lavou o cabelo assim que chegou a casa. E agora sim, já podia perder tempo para investigar onde tinha dores... “ok, acho que tenho dores nas costas e no pescoço!”

Nota da autora: esta besta anormal é a minha irmã. Como será possível que, tendo um exemplo de perfeição e boa conduta na sua irmã mais velha, ela tenha degenerado numa criatura tão desprovida de equilíbrio psicológico e com uma total inversão de prioridades? Pobres paizinhos…
(Caracois-L)

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

God vs David Lynch

Deus, aquele cujo passatempo favorito sou eu, e o David Lynch, aquele que faz filmes quando bebe e escreve a história da minha vida quando se droga, hoje brincaram um com o outro.

Deus avança:

Ontem tive uma das várias réplicas do pseudo-date, mas portei-me bem, apesar de me ter deitado tarde. Hoje fui trabalhar, pelo que até acordei cedo (tendo em conta que era Domingo) e bem-disposta (reforço: tendo em conta que era Domingo) e até saí de casa com tempo de sobra para beber um café e fumar 3 ou 4 cigarros antes de entrar ao serviço. Chego ao metro e dentro da minha mala não estava a carteira. Ficou dentro da minha mala-pipi-coquette que usei na noite anterior. Volto a casa, agarro a carteira, volto a sair, rezo por um táxi, ele lá aparece, vou a correr para chegar a horas, curiosamente ia render a chefe, conto-lhe a história e ela goza comigo porque apanhei um táxi para não chegar atrasada.

Eu: Está a gozar comigo porque eu apanhei um táxi para conseguir chegar a horas?
Chefe: Estou! Epa, chegavas atrasada e pronto! Taxi… pffff
Eu: OK…

David Lynch contra-ataca:

Uma amiga manda mensagem a perguntar como foi o pseudo-date. Aqui devo acrescentar que ontem estive 3 horas sentada no chão da casa-de-banho a lavar roupa à mão. Acreditem que esta informação é pertinente.

Amiga: Conta-me tudo. Tou a morrer de curiosidade!
Eu: Foi fixe. Fomos ao teatro, depois fomos beber uns copos, depois viemos aqui para casa e acabamos deitados em cima da minha cama até às 7h30 a conversar.
Amiga: Nem um beijinho? Ele também está a pedi-las!
Eu: Nada! Ainda houve a sugestão (da parte dele) de olhar pró meu rabo sem roupa, porque me doía o cóccix, eu não deixei. E pronto.

A resposta a isto, merece o prémio de melhor moca por snifar atmosfera… e juro que estou a transcrever literalmente a mensagem que recebi.

Amiga: Calma… Calmaaaaa!!!! Tu estavas em cuecas (ponto n.1) e ele olhou para o teu rabo (ponto n.2), deitado na tua cama (ponto n.3), e sugeriu um beijo (ponto n.4). E tu? Nada fizeste! Mata-te!

Eu: Epá tu vê lá se atinas!!! Onde é que eu disse que estava em cuecas e que ele olhou pró meu rabo e sugeriu um beijo???
Amiga: Acordei agora. Passei-me completamente! Assim está bem…

Portugal!
Eu não consigo ser uma pessoa normal, pelo simples facto de me relacionar com gente desta!

(Caracois-L)

PS: se calhar sou eu que já não percebo nada destas coisas, mas o normal não é primeiro "beijo" e só depois "estar em cuecas"?

sábado, 6 de fevereiro de 2010

cara-metade

Post com bolinha ameaçadora no canto superior direito e totalmente baseado em factos verídicos. Se fores menor e estiveres a ler isto, continua, mas não avises os teus pais.


Tinha combinado encontrar-me com duas amigas para um copo ao final da tarde. Uma delas não apareceu, então a outra levou dois amigos dela para compensar a falha. Curiosamente cada um deles tinha uma mota de água e fomos os quatro dar uma voltinha. Cada um deles na sua mota com uma de nós à pendura de cabelos ao vento. Rimos muito, atropelámos 2 golfinhos e 3 garrafas de óleo vazias. Havia pessoas a brincar à beira-mar e fizemos aquela piada que os autocarros me fazem em dias de chuva quando há poças de água na estrada… chuuuuuááááá! Banho para cima deles! Mas um deles não gostou da brincadeira e agarrou numa pedra da calçada que atirou com toda a força na nossa direcção. Desviei-me mas ainda a levei de raspão na bochecha esquerda. Quando chegamos a terra, eles em pânico e disseram-me que eu tinha um valente buraco na cara! Fui a correr para casa onde a minha mãe me tratou a mazela com água oxigenada e tintura de iodo e colocou um penso rápido, enquanto me avisava que tinha convidado 20 pessoas para jantar porque eu não podia continuar a comer daquela maneira, que a primavera estava a começar, e assim sempre conseguia que eu não comesse aquilo tudo sozinha. Lavei a loiça que aquela gente toda sujou, tomei um banho e tirei o penso rápido porque a ferida já estava curada. Neste momento o homem dos meus sonhos liga-me a convidar para jantar em casa dele, aceitei sem lhe dizer que já tinha jantado e senti-me vitoriosa por ter conseguido boicotar o plano maquiavélico da minha mãe. Jantámos e depois enrolámo-nos à bruta pela casa toda. A princípio estava envergonhada, porque não conhecia a família dele, mas afinal são todos uns porreiraços e deixaram-nos à vontade. Nisto…


TI-RI-RI-RI-RIIIIII
Acordo desorientada. Tinha recebido uma mensagem. TMN: “ponha a sua cara-metade a ouvir Mariah Carey quando lhe liga”…
Filhos da mãe! Já é a segunda vez que me mandam esta mensagem esta semana. Se for preciso há por aí muito boa gente com vontade de pôr o seu "mais que tudo" a ouvir esta bardajona e não recebeu esta mensagem. E eu, que não tenho nem cara-metade nem vontade de ouvir a bardajona, já a recebi duas vezes! E com o homem dos meus sonhos estava eu no bem-bom e por muito que tente voltar a dormir e concentrar-me em voltar ao mesmo sonho, vou sonhar que sou um cachalote no meio do oceano! Merda pra isto!
(Caracois-L)

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

elefante preto

Havia música e havia qualquer coisa que a deixou tonta. Não se sentia perdida, mas não queria estar ali. Já em paz, havia ainda qualquer coisa que a deixava tonta. E de repente tinha-o nas mãos. Pequeno, escuro, estranho. O seu mundo era pequeno. Entregou-o a quem tinha espaço para ele sossegar. Mas não queriam que ela o esquecesse. Deixaram-lhe uma marca que cabia no seu mundinho. Passaram dias separados, mas ela não o esqueceu. Finalmente juntos, ele contempla a sua deusa a fazer o que lhe dá mais prazer. Ela olha-o ainda sem perceber…


Ok… esta foi a versão romântica dos factos.
A verdadeira história é esta!
Sábado, fui ver um concerto à tarde e bebi um “bocadinho”. Depois fui jantar com as minhas gajas e bebi mais um “bocadinho”. Depois apareceu um preto a vender bonecos e eu comprei um elefante. Porquê? Não sei. Não cabia na minha mala, pedi a uma amiga para o guardar. O preto voltou atrás porque se tinha esquecido de me dar os “dentes” do bicho, que até cabiam na minha carteira. E só então me lembrei que os elefantes têm aquele marfim todo, porque até aí o meu elefante "desdentado" parecia-me uma autêntica obra de arte! Depois a minha amiga, essa bêbeda, esqueceu-se de me dar o elefante antes de ir para casa. Deu-me ontem. Agora estava a jantar e olhei para cima do móvel. Tenho que o pôr o raio do elefante noutro sítio. Ali parece que está a olhar para mim. E o gajo é feio e tem a cauda do mesmo tamanho que a tromba, que ainda por cima é torta. Mas onde é que eu estava com a cabeça?

(Caracois-L)

domingo, 24 de janeiro de 2010

um quarto para as cinco

Então este fim-de-semana fui uma menina bonita e fui "à terra". Para o ano novo, cada uma de nós propôs 5 desafios a si própria, para realizar em 2010. Um dos meus foi ir a casa dos meus pais pelo menos duas vezes por mês. "Eh rapariga, pela maneira como falas, isso deve ser lá para o Minho! Duas vezes por mês é desafio que se preze, sim senhor!" - Não, é mesmo ali na Moita, duas curvas depois de qualquer uma das pontes sobre o Tejo... Ah, mas eu vou de barco! É desafiante na mesma! Não?...
Bem, mas lá fui. Jantar de grupo das amigas do lado de lá. Depois um copo com o pessoal lá no café "in" do sítio. Pessoas que ainda não tinha visto este ano. Foi giro. Até que aperece uma figura... "Olá, tás boa e tal", conversa de ocasião e pergunta "por acaso não passaste pelas Amoreiras ontem, não?" Eu disse que não e perguntei porquê... "Ah pá! Então parecias mesmo tu, assim baixinha com brutos caracóis, com a malinha pendurada no braço como costumas andar e assim com os pés à-um-quarto-para-as-cinco..."
PÁRA TUDO!!!!
Pés para onde?!
Epá pés às-dez-para-as-duas até podia ser. Se bem que é um exagero, quanto muito ando com os pés às-cinco-para-a-uma! Mas isto é quase incompatível com a vida! Isso era ter o pé direito para trás! Atrasado mental!!!
Não liguei, nem respondi, continuei a falar com a minha amiga e ele foi embora.
Mais tarde, sentadas de esplanada, depois de uma imperiais, já com o dito café fechado (pouca gente na rua, portanto), lembro-me deste aborto-espontâneo-com-pernas e levanto-me para imitar o que seria eu andar com os pés à-um-quarto-para-as-cinco. Aparece um amigo de uma das minhas amigas acompanhado por alguém que nem me dei ao trabalho de ver quem era, porque estava ocupada a ser o palhaço da noite. Sento-me gloriosa com o meu espectáculo, eu e elas lavadas em lágrimas de tanto rir, com suspiros moitenses de pura satisfação como "ai caralho!". O amigo da outra diz xau, nós dizemos xau, ele vai embora com o outro, nós continuamos na nossa galhofa. A outra recebe uma mensagem do amigo que tinha acabado de sair a dizer: "vocês são mesmo más, a fazerem isso com o (não me lembro do nome dele) ao meu lado!". O tal de quem não me lembro o nome, é só um jovem com uma deficiência física, com os pés lá para as dez-e-vinte e que anda quase tão bem como a minha pantomima nocturna.
Inferno, aí vou eu!
(Caracois-L)

domingo, 17 de janeiro de 2010

coisas absolutamente estúpidas que só me acontecem a mim (IV)

Há uns dias tive um jantar-pseudo-date.
A classificação do evento fez-se com base nos seguintes pontos:
1) éramos duas pessoas de sexo oposto;
2) não era um date;
3) mesmo que fosse, ele estava a jantar sozinho num date só dele e eu estava a fazer-lhe companhia, porque eu não vou a dates;
4) para os de fora podia ser confundido facilmente com um date.
Bem, mas o importante não é isto. O importante é que num restaurante de dates, com velas e casais e minhoquices dessas, eu consegui dar uma cacetada numa inocente colher da café, que a fez rodopiar no ar fazendo um rasto de molho pela mesa e pelo chão, até acertar na empregada do restaurante. Sorte do senhor que estava na mesa ao lado, porque se a empregada não estivesse a passar nesse momento, tinha ganho uma fantástica medalha de molho nepalês no seu casaco.
Depois de ser a romanticida de 2009, já sou a pseudo-daticida de 2010. E ainda estamos em Janeiro. Um aplauso para mim.
E para que conste, também ja não vivo num filme de comédia. Ontem à noite vi três anões na rua. A minha vida afinal é a obra-prima do David Lynch. Só faltava aparecer um cavalo que falava e uma loira a torcer os braços ao contrário.
(Caracois-L)