sábado, 27 de março de 2010

"Mas o que é isto?"

Ora... Como hei de contar isto... Hmm... portanto... Cá vai! :)

Sexta feira de folga... Plano: Jantar com o namorado e talvez um cineminha!

Fui jantar com o meu namorado a um daqueles restaurantes que funciona com buffet. Portanto e como qualquer pessoa normal, levantei-me e fui encher o meu prato com tudo a que tinha direito. Quando o empregado me estava a servir a carne, senti um pequeno puxão. Não liguei! Nisto oiço um burburinho... "mas o que é isto?"... Mais uma vez, não liguei... E senti novo puxão!
É então que uma das empregadas diz mais alto: "Mas o que é isto? Que fios são estes?", e oiço um cliente que está a entrar a responder: "É uma senhora que está a perder o vestido!".
Já com o meu prato servido, viro-me e deparo-me com uma empregada presa no meio de fios... E o puxão continuava. Pousei o prato sobre a mesa e ajudei a dita empregada a sair do meio dos fios.

Então... voltando um pouco atrás... Quando me levantei para me ir servir, uma fita do meu vestido ficou presa sei lá eu onde. Cada passo que dava deixava um rasto atrás de mim. O maldito fio do vestido foi tecendo uma teia enquanto se destruía, deixando a empregada presa no meio da tal teia!
Foi então que percebi que... a tal "senhora que está a perder o vestido" era nada mais nada menos que EU!!!
Se houvesse um buraco para me enfiar, eu teria agradecido. :$

Esta é então a prova de que não é apenas à Caracol- L que acontecem coisas surreais em restaurantes!!! :p

(Talvez nunca devêssemos ir a restaurantes! ;p)

(Caracois-S)

sexta-feira, 19 de março de 2010

foi assim um dia normalzito

Comecei o dia a chegar tarde ao trabalho. Depois de comer o donuts, de beber o néctar e de beber o café, fui fumar o cigarro. E enquanto fumo, surge do nada um senhor com aparelho auditivo. E o senhor, com sotaque de pessoa com aparelho auditivo, pergunta se aquele elevador dava para ir para a terapia da fala. E eu respondo ao senhor do aparelho auditivo que não sabia se aquele elevador dava ou não. E o senhor do aparelho auditivo diz: ai tá avariado? Tá bem. E entre o controlar de um ataque de riso que fez saltarem 5 lágrimas em cada olho, o pensamento malicioso que ele precisava de ir era à “terapia do ouvido” e a mensagem cósmica de que a ala oeste da minha mansão no inferno estava concluída, não consegui explicar ao senhor do aparelho auditivo que não era nada disso que eu tinha dito e ele foi embora…

Depois estava a fazer o meu trabalho. Velhinho simpático e engraçado, conversa animada, até que ele saca da sua mão, dá-me um valente apalpão na mamoca direita e diz que me dá 100 euros se eu lhe fizer um br**** (eu sei que não costumo ter problemas com palavrões, mas este arrepiou-me e até o facto de escrever a palavra toda dá-me voltas ao estômago). Neguei as vezes que foram precisas até acabar o que estava a fazer… ou melhor, até ele desatar aos gritos que eu era uma burra teimosa. Enfim… E não, eu não trabalho numa esquina nem numa rotunda e tenho uma farda de trabalho que me tapa desde os joelhos até ao pescoço!

E depois saio do trabalho e vejo uma senhora em camisa de noite com ar “feira de Carcavelos”, com um robe com ar “loja dos chineses”, de almofada debaixo do braço, tudo em tons de rosa-cueca, e com sapatos pretos de salto agulha.

Depois cheguei a casa, esqueci-me outra vez de ir às compras, dormi a sesta até às 21 horas e jantei vários bollycaos pela segunda noite consecutiva.

Queria concluir algo útil e construtivo com base no dia de hoje… mas não consigo.
(Caracois-L)

quarta-feira, 10 de março de 2010

mais uma 'pró' currículo

Tive um daqueles dias do cocó!
Trabalhei desde as 23h. Logo ao início do turno uma velhinha demente disse-me "vá para casa, não gosto de si". Devia ter seguido as suas palavras. Mais tarde sussurrou-me "já lhe disse o que tinha para lhe dizer". Devia mesmo ter seguido as suas palavras.
Mas não.
Continuei.
Trabalhei 16 horas. Ainda combalida pelos efeitos de uma colónia de bacteriazitas ordinárias que decidiram reproduzir-se desenfreadamente nas minhas vias respiratórias. Agora combalida com uma diarreia tipo "sai da frente que eu quero passar!", provocada pelas relações nada amistosas entre o meu intestino e antibióticos. Cada vez com mais sono, com erupções cutâneas de mau humor e com um grau de demência quase tão bonito de se ver como o da doce velhinha.
Dia de trabalho quase a terminar e alguém me pergunta, após uma conversa sobre a essência da vida e outros problemas da humanidade, dos quais ninguém se lembraria de falar comigo nunca na vida, quanto mais no fim de um dia como este:
ENTÃO E COMO VAI DE AMORES?
Sorri, fiz um olhar doce, disse que estava tudo muito bem, tenho a sensação que até suspirei no fim...

Oh Sandra Bullock, anda cá minha cabra que essa merda dessa estatueta afinal é minha!
(Caracois-L)
PS: visão positiva, hoje aprendi que afinal até sou uma mentirosa exímia. Mais uma nota a registar no meu currículo.

domingo, 7 de março de 2010

um dia, quatro posts

Quem não tem mais nada de jeito para se entreter (e luta interiormente para nao sair da cama e ir assaltar o frigorífico, consumida pelo medo de ser apanhada em delito, como se a comida que está lá dentro fosse de outra pessoa, apesar de saber que vive sozinha) inventa coisas destas.
(Caracois-L)

um dia, três posts

Confesso que não tenho nada para dizer.
Mas quando escrevi o post anterior, lembrei-me que vir um logo a seguir com este título era bonito. E é quase meia-noite... Por isso cá vai.
Estou ranhosa, um pouco febril, rabugenta e comi demais. Já tomei tudo o que tenho cá em casa para as constipações, ou seja, fui buscar 2 pacotes de lenços de papel.
Amanhã vou ter que ir trabalhar assim e vou trabalhar mais do que devia e certamente muito mais do que me apetecia.
E é o que temos.
(Caracois-L)

um dia, dois posts

É sabido que uso a cozinha como anti-depressivo.
Rolo de carne recheado com cebolinhas e alheira, acompanhado com salada de rúcula, alface roxa e laranja, com tortas de azeitão (estas foram compradas, obviamente...) para sobremesa.
E mais não digo.
(Caracois-L)

para reflectir...

Este fim-de-semana, em conversa amena com amigos, ouvi a seguinte frase a respeito de uma mulher que não conheço:

Ela até é gira… mas a nível espiritual… epa… não tem bagagem nenhuma.

Obviamente pedi que se explicasse...

Assim como já usaram calças à boca-de-sino, bigodes farfalhudos ou roupa interior em forma de saco de batatas e com padrão de cortinados, eu tenho fé que esta é só uma fase negativa e passageira na existência do sexo masculino e que um dia os homens voltarão a falar em linguagem perceptível para as mulheres.

O mítico “a gaja é boa, mas burra como a merda” é bronco.
É, sim senhor.
Mas não deixa dúvidas.
(Caracois-L)

segunda-feira, 1 de março de 2010

assim se vive ao ritmo da L.

Sexta-feira a fechar mais uma semana daquelas. Dormi a sesta à pressa para ir ao jantar de despedida da amiga que vai mais uma vez para Angola. Sem tristezas, nem conversas do "vou ter saudades tuas". Porque não é preciso tê-las (as conversas), mesmo porque sabemos que vamos tê-las (as saudades). Consegui, mais uma vez, fazer voar coisas durante o jantar: desta vez um copo de cerveja, que sujou toalha, chão e parede... Rimos todos juntos até "às tantas". Ainda herdei uma planta para não deixar morrer (está prometido!) e uma mini-ressaca para a manhã seguinte.

Sábado, acordei ao meio dia, com o despertador para a uma da tarde, com uma tatuagem marcada há 1 mês para as duas da tarde. Porque acordei mais cedo? Porque uma amiga telefonou para saber se eu estava nervosa. Se estava? Claro que sim! Mas só me ia lembrar disso quando acordasse e assim sofri de ansiedade (vulgo "cagunfa") mais uma hora do que o planeado. Ia fazer a tauagem com duas amigas, uma "acagaçou-se" à última da hora, a outra despachou-se mais cedo que eu, eu fiquei a sofrer durante uma hora, sozinha, nas mãos de um homem desconhecido com luvas e instrumentos de tortura tenebrosos. Saí de lá toda dorida, com um temporal tropical mas sem calor na rua, a ligar à mãe para contar que "a obra de arte para sempre nas minhas costas" estava feita, enquanto tentava controlar o chapéu-de-chuva e a minha vontade de descer a rua para ir comprar os Tiger que estavam na montra de uma loja já ali ao lado. Cheguei a casa, esperei as duas horas para tirar o penso, tirei o penso, tirei fotos à tatuagem e dormi a sesta à pressa para ir jantar ao Tágide. Restaurante caríssimo e finíssimo, incluido no restaurant-week, onde podíamos ter jantado por 20€, onde nos entusiasmamos com o vinho e onde acabamos a pagar 50€ cada um... Pelo menos, não encarnei a minha personalidade de artista de circo e nem loiça nem comida ganharam asas à minha conta. Saímos do restaurante já era Domingo...

Domingo (já passava da meia noite, portanto...), festa do teatro da comuna, dança, gin tónico. Acabou cedo... Jamaica, dança, cerveja. Tinhamos fome. Hamburguers. Palhaçada na rua. Cama depois das 7h... Voltei ao mundo às 19h. Jantei. Tinha dores nas pernas. Voltei para a cama.

Segunda-feira. 2h40. Já começou a semana. Outra vez. Não tenho sono. Outra vez. Amanhã vou estar o dia todo com cara de ananás. Outra vez. Se foi desta que aprendi que os fins-de-semana também podem ser usados para descansar? Não! Mais uma vez.

Caracois-L
PS: amo tanto a minha vida!

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

caso clínico

“Oh Dr. precisava que visse aqui uma coisa.”

Sempre com a mania que tem que dar ar de quem é muito atarefada, avançou rapidamente para o laboratório, certa de que o Dr. iria segui-la até lá. E ele lá foi, a metade da velocidade dela, porque já tem estatuto para andar devagar durante o horário de trabalho. Ela lá entra no laboratório a uma velocidade alucinante. E ela lá faz a curva à mesma velocidade alucinante. E de repente, os pés dela pisgam-se em auto-gestão para o ar até ficarem à mesma altura da sua cabeça…
“oh foda-se, enceraram o chão!”
O seu corpo cai desamparado em prancha no chão sujo, apesar de encerado, do laboratório, não sem antes dar uma valente cacetada com a cabeça num frigorífico em ferro maciço, topo de gama em 1963.
“foda-se, ele deve vir já aí!”
Levanta-se rapidamente, abana a cabeça, o que dói logo se vê, agora há que manter a postura. O Dr. entra e ela já está semi-de-pé, ainda agarrada ao frigorífico, meio-despenteada e com os olhos torcidos.

Freeze
Sem a introdução prévia, a interpretação deste quadro seria: menina má acabou de fazer sexo louco no laboratório, viu que o chefe estava a chegar e escondeu o amante dentro do frigorífico.

Des-freeze

Ela nem o deixa falar “acabei de cair, tou bem e o que eu lhe queria mostrar era isto…”
Uns minutos depois sente o cabelo pesado, passa com a mão na nuca para ver o que poderá ser, sente um galo do tamanho de uma avestruz e o cabelo está molhado. Olha espantada para a mão coberta de sangue, chama cabrão ao frigorífico e puta à empregada da limpeza, chama o chefe e diz “oh Dr… afinal…” enquanto lhe mostra a mão ensanguentada e põe um sorriso palerma.

Freeze
Sem a introdução prévia, a interpretação deste quadro seria: matei-o, mas foi sem querer…

Des-freeze

Fazem-lhe um penso. Colocam-lhe uma ligadura à volta da cabeça. E por meia hora ficou em tudo parecida com o Nuno Gomes depois de abrir o sobrolho, com o devido curativo aplicado e de volta ao campo, com tufos de cabelo desgrenhado a saltarem por cima e por baixo da bela ligadura branca. Discutem o procedimento a seguir, ela deixa bem marcada a sua posição no processo “desde que eu chegue a casa e possa lavar o cabelo, não quero saber do resto”. Acabam por lhe dar “2 pontinhos”. Ela lavou o cabelo assim que chegou a casa. E agora sim, já podia perder tempo para investigar onde tinha dores... “ok, acho que tenho dores nas costas e no pescoço!”

Nota da autora: esta besta anormal é a minha irmã. Como será possível que, tendo um exemplo de perfeição e boa conduta na sua irmã mais velha, ela tenha degenerado numa criatura tão desprovida de equilíbrio psicológico e com uma total inversão de prioridades? Pobres paizinhos…
(Caracois-L)

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

God vs David Lynch

Deus, aquele cujo passatempo favorito sou eu, e o David Lynch, aquele que faz filmes quando bebe e escreve a história da minha vida quando se droga, hoje brincaram um com o outro.

Deus avança:

Ontem tive uma das várias réplicas do pseudo-date, mas portei-me bem, apesar de me ter deitado tarde. Hoje fui trabalhar, pelo que até acordei cedo (tendo em conta que era Domingo) e bem-disposta (reforço: tendo em conta que era Domingo) e até saí de casa com tempo de sobra para beber um café e fumar 3 ou 4 cigarros antes de entrar ao serviço. Chego ao metro e dentro da minha mala não estava a carteira. Ficou dentro da minha mala-pipi-coquette que usei na noite anterior. Volto a casa, agarro a carteira, volto a sair, rezo por um táxi, ele lá aparece, vou a correr para chegar a horas, curiosamente ia render a chefe, conto-lhe a história e ela goza comigo porque apanhei um táxi para não chegar atrasada.

Eu: Está a gozar comigo porque eu apanhei um táxi para conseguir chegar a horas?
Chefe: Estou! Epa, chegavas atrasada e pronto! Taxi… pffff
Eu: OK…

David Lynch contra-ataca:

Uma amiga manda mensagem a perguntar como foi o pseudo-date. Aqui devo acrescentar que ontem estive 3 horas sentada no chão da casa-de-banho a lavar roupa à mão. Acreditem que esta informação é pertinente.

Amiga: Conta-me tudo. Tou a morrer de curiosidade!
Eu: Foi fixe. Fomos ao teatro, depois fomos beber uns copos, depois viemos aqui para casa e acabamos deitados em cima da minha cama até às 7h30 a conversar.
Amiga: Nem um beijinho? Ele também está a pedi-las!
Eu: Nada! Ainda houve a sugestão (da parte dele) de olhar pró meu rabo sem roupa, porque me doía o cóccix, eu não deixei. E pronto.

A resposta a isto, merece o prémio de melhor moca por snifar atmosfera… e juro que estou a transcrever literalmente a mensagem que recebi.

Amiga: Calma… Calmaaaaa!!!! Tu estavas em cuecas (ponto n.1) e ele olhou para o teu rabo (ponto n.2), deitado na tua cama (ponto n.3), e sugeriu um beijo (ponto n.4). E tu? Nada fizeste! Mata-te!

Eu: Epá tu vê lá se atinas!!! Onde é que eu disse que estava em cuecas e que ele olhou pró meu rabo e sugeriu um beijo???
Amiga: Acordei agora. Passei-me completamente! Assim está bem…

Portugal!
Eu não consigo ser uma pessoa normal, pelo simples facto de me relacionar com gente desta!

(Caracois-L)

PS: se calhar sou eu que já não percebo nada destas coisas, mas o normal não é primeiro "beijo" e só depois "estar em cuecas"?

sábado, 6 de fevereiro de 2010

cara-metade

Post com bolinha ameaçadora no canto superior direito e totalmente baseado em factos verídicos. Se fores menor e estiveres a ler isto, continua, mas não avises os teus pais.


Tinha combinado encontrar-me com duas amigas para um copo ao final da tarde. Uma delas não apareceu, então a outra levou dois amigos dela para compensar a falha. Curiosamente cada um deles tinha uma mota de água e fomos os quatro dar uma voltinha. Cada um deles na sua mota com uma de nós à pendura de cabelos ao vento. Rimos muito, atropelámos 2 golfinhos e 3 garrafas de óleo vazias. Havia pessoas a brincar à beira-mar e fizemos aquela piada que os autocarros me fazem em dias de chuva quando há poças de água na estrada… chuuuuuááááá! Banho para cima deles! Mas um deles não gostou da brincadeira e agarrou numa pedra da calçada que atirou com toda a força na nossa direcção. Desviei-me mas ainda a levei de raspão na bochecha esquerda. Quando chegamos a terra, eles em pânico e disseram-me que eu tinha um valente buraco na cara! Fui a correr para casa onde a minha mãe me tratou a mazela com água oxigenada e tintura de iodo e colocou um penso rápido, enquanto me avisava que tinha convidado 20 pessoas para jantar porque eu não podia continuar a comer daquela maneira, que a primavera estava a começar, e assim sempre conseguia que eu não comesse aquilo tudo sozinha. Lavei a loiça que aquela gente toda sujou, tomei um banho e tirei o penso rápido porque a ferida já estava curada. Neste momento o homem dos meus sonhos liga-me a convidar para jantar em casa dele, aceitei sem lhe dizer que já tinha jantado e senti-me vitoriosa por ter conseguido boicotar o plano maquiavélico da minha mãe. Jantámos e depois enrolámo-nos à bruta pela casa toda. A princípio estava envergonhada, porque não conhecia a família dele, mas afinal são todos uns porreiraços e deixaram-nos à vontade. Nisto…


TI-RI-RI-RI-RIIIIII
Acordo desorientada. Tinha recebido uma mensagem. TMN: “ponha a sua cara-metade a ouvir Mariah Carey quando lhe liga”…
Filhos da mãe! Já é a segunda vez que me mandam esta mensagem esta semana. Se for preciso há por aí muito boa gente com vontade de pôr o seu "mais que tudo" a ouvir esta bardajona e não recebeu esta mensagem. E eu, que não tenho nem cara-metade nem vontade de ouvir a bardajona, já a recebi duas vezes! E com o homem dos meus sonhos estava eu no bem-bom e por muito que tente voltar a dormir e concentrar-me em voltar ao mesmo sonho, vou sonhar que sou um cachalote no meio do oceano! Merda pra isto!
(Caracois-L)

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

elefante preto

Havia música e havia qualquer coisa que a deixou tonta. Não se sentia perdida, mas não queria estar ali. Já em paz, havia ainda qualquer coisa que a deixava tonta. E de repente tinha-o nas mãos. Pequeno, escuro, estranho. O seu mundo era pequeno. Entregou-o a quem tinha espaço para ele sossegar. Mas não queriam que ela o esquecesse. Deixaram-lhe uma marca que cabia no seu mundinho. Passaram dias separados, mas ela não o esqueceu. Finalmente juntos, ele contempla a sua deusa a fazer o que lhe dá mais prazer. Ela olha-o ainda sem perceber…


Ok… esta foi a versão romântica dos factos.
A verdadeira história é esta!
Sábado, fui ver um concerto à tarde e bebi um “bocadinho”. Depois fui jantar com as minhas gajas e bebi mais um “bocadinho”. Depois apareceu um preto a vender bonecos e eu comprei um elefante. Porquê? Não sei. Não cabia na minha mala, pedi a uma amiga para o guardar. O preto voltou atrás porque se tinha esquecido de me dar os “dentes” do bicho, que até cabiam na minha carteira. E só então me lembrei que os elefantes têm aquele marfim todo, porque até aí o meu elefante "desdentado" parecia-me uma autêntica obra de arte! Depois a minha amiga, essa bêbeda, esqueceu-se de me dar o elefante antes de ir para casa. Deu-me ontem. Agora estava a jantar e olhei para cima do móvel. Tenho que o pôr o raio do elefante noutro sítio. Ali parece que está a olhar para mim. E o gajo é feio e tem a cauda do mesmo tamanho que a tromba, que ainda por cima é torta. Mas onde é que eu estava com a cabeça?

(Caracois-L)

domingo, 24 de janeiro de 2010

um quarto para as cinco

Então este fim-de-semana fui uma menina bonita e fui "à terra". Para o ano novo, cada uma de nós propôs 5 desafios a si própria, para realizar em 2010. Um dos meus foi ir a casa dos meus pais pelo menos duas vezes por mês. "Eh rapariga, pela maneira como falas, isso deve ser lá para o Minho! Duas vezes por mês é desafio que se preze, sim senhor!" - Não, é mesmo ali na Moita, duas curvas depois de qualquer uma das pontes sobre o Tejo... Ah, mas eu vou de barco! É desafiante na mesma! Não?...
Bem, mas lá fui. Jantar de grupo das amigas do lado de lá. Depois um copo com o pessoal lá no café "in" do sítio. Pessoas que ainda não tinha visto este ano. Foi giro. Até que aperece uma figura... "Olá, tás boa e tal", conversa de ocasião e pergunta "por acaso não passaste pelas Amoreiras ontem, não?" Eu disse que não e perguntei porquê... "Ah pá! Então parecias mesmo tu, assim baixinha com brutos caracóis, com a malinha pendurada no braço como costumas andar e assim com os pés à-um-quarto-para-as-cinco..."
PÁRA TUDO!!!!
Pés para onde?!
Epá pés às-dez-para-as-duas até podia ser. Se bem que é um exagero, quanto muito ando com os pés às-cinco-para-a-uma! Mas isto é quase incompatível com a vida! Isso era ter o pé direito para trás! Atrasado mental!!!
Não liguei, nem respondi, continuei a falar com a minha amiga e ele foi embora.
Mais tarde, sentadas de esplanada, depois de uma imperiais, já com o dito café fechado (pouca gente na rua, portanto), lembro-me deste aborto-espontâneo-com-pernas e levanto-me para imitar o que seria eu andar com os pés à-um-quarto-para-as-cinco. Aparece um amigo de uma das minhas amigas acompanhado por alguém que nem me dei ao trabalho de ver quem era, porque estava ocupada a ser o palhaço da noite. Sento-me gloriosa com o meu espectáculo, eu e elas lavadas em lágrimas de tanto rir, com suspiros moitenses de pura satisfação como "ai caralho!". O amigo da outra diz xau, nós dizemos xau, ele vai embora com o outro, nós continuamos na nossa galhofa. A outra recebe uma mensagem do amigo que tinha acabado de sair a dizer: "vocês são mesmo más, a fazerem isso com o (não me lembro do nome dele) ao meu lado!". O tal de quem não me lembro o nome, é só um jovem com uma deficiência física, com os pés lá para as dez-e-vinte e que anda quase tão bem como a minha pantomima nocturna.
Inferno, aí vou eu!
(Caracois-L)

domingo, 17 de janeiro de 2010

coisas absolutamente estúpidas que só me acontecem a mim (IV)

Há uns dias tive um jantar-pseudo-date.
A classificação do evento fez-se com base nos seguintes pontos:
1) éramos duas pessoas de sexo oposto;
2) não era um date;
3) mesmo que fosse, ele estava a jantar sozinho num date só dele e eu estava a fazer-lhe companhia, porque eu não vou a dates;
4) para os de fora podia ser confundido facilmente com um date.
Bem, mas o importante não é isto. O importante é que num restaurante de dates, com velas e casais e minhoquices dessas, eu consegui dar uma cacetada numa inocente colher da café, que a fez rodopiar no ar fazendo um rasto de molho pela mesa e pelo chão, até acertar na empregada do restaurante. Sorte do senhor que estava na mesa ao lado, porque se a empregada não estivesse a passar nesse momento, tinha ganho uma fantástica medalha de molho nepalês no seu casaco.
Depois de ser a romanticida de 2009, já sou a pseudo-daticida de 2010. E ainda estamos em Janeiro. Um aplauso para mim.
E para que conste, também ja não vivo num filme de comédia. Ontem à noite vi três anões na rua. A minha vida afinal é a obra-prima do David Lynch. Só faltava aparecer um cavalo que falava e uma loira a torcer os braços ao contrário.
(Caracois-L)

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Finalmente de férias!!!

Ora bem... Vejamos... Estou de FÉRIAS!!!

É verdade que praticamente ainda não parou de chover desde que entrei de férias. Mas ainda assim estou feliz! Quem não estaria? Pergunto eu e talvez voces...

Vou ter tempo para fazer de tudo um pouco, e para não fazer nada! E era disso mesmo que eu já estava a precisar. De tempo para não fazer nada!
Sabem quando chegamos áquele ponto em que só de pensar em ir trabalhar começamos a ficar mal dispostos, com tonturas e só nos apetece que aconteça uma qualquer desgraça natural (sismos, inundações...) para que sejamos impossibilitados de ir trabalhar??? Pois bem... Eu cheguei a esse ponto! Saturação!!! Não dava mais.

Portanto, e mesmo estando a chover, e esteja um frio de rachar... Eu tou feliz e contente!

Bem... Neste momento, o forno acabou de apitar. Estará já o bolo pronto??? Vou ver... :)


(Caracois-S)

domingo, 3 de janeiro de 2010

Ano Novo

Primeiro turno de trabalho da nova década: Sábado à noite. Parece que a década mudou, mas a minha sorte nem por isso. Finalmente 8 horas da manhã, hora de ir para casa. Está um dia de Domingo e de Inverno. Feio, como todos os Domingos, e ainda com nuvens e uma chuvinha irritante. Já estava quando saí de casa, mas a minha alergia a chapéus-de-chuva é mais forte que chuviscos.
"São só chuviscos" pensei eu…
"Eram" só chuviscos…
Lógico que as pessoas mais afortunadas, aquelas que dormiam porque, afinal, era Domingo, não deram por nada, mas caiu uma tromba de água hoje em Lisboa por volta das 8h30m. Corrijo, caiu uma manada inteira de elefantes em forma de chuva em cima de mim. Eu não tinha uma única peça de roupa seca no corpo. Os senhores da meteorologia provavelmente classificaram-na como "chuva moderada no litoral centro", mas como fui eu que a levei em cima, eu é que sei!
Tomei um bom banho quente e dormi. Só acordei quase de noite. Odeio o Inverno.

"Wooow", diz o público que segue a minha novela passo a passo, já adivinhando que a protagonista vai acordar com os azeites.
E acordei mesmo.

Decidi que era uma boa ocasião para a minha cooking-therapy. Há mulheres que fazem ponto-cruz, outras pintam azulejos, outras metem-se na droga, eu cozinho. Música boa, refogados, um ou outro cigarro, bacalhau, forno a aquecer, gente que não me percebe, eu que não percebo ninguém, queijo ralado, gente que me chateia, gente que eu devia ter ido ver, gente com quem não quis falar.
Resultado: bacalhau no forno para uma equipa de rugby. Podia ser para uma de futebol, mas os outros “miúdos” são em maior número e têm cara de quem come bem mais que os fraquinhos da bola redonda. Não havendo equipa nenhuma, vou ter que enfardar bacalhau durante 3 dias, que é para não ser parva!
(Caracois-L)

sábado, 19 de dezembro de 2009

mais mimos

O Oscar Tomé foi invadido pelo espírito natalício e anda a estragar-nos com mimos.

Estes são os seu últimos devaneios:



E entretanto lança o desafio de enumerar as 5 coisas das quais mais nos arrependemos.



Falo por mim, a S. logo responde por ela. Epa, eu "só" me arrependo de (quase) todas as vezes que menti. O resto acho que fazia tudo igual outra vez. Acho...

E desta vez porto-me bem, e passo os selos aos blogs que gosto, logo os que sigo com mais dedicação, o que inclui o do amigo Oscar (http://purosaboramim.blogspot.com/)!

http://b-indigo.blogspot.com/
http://dolitasworld.blogspot.com/
http://grow-up-boy.blogspot.com/
http://ourmadworld.blogspot.com/
http://enquantocofioabarba.blogspot.com/

(Caracois-L)

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

se o natal é quando o homem quiser, a páscoa é quando eu quero!

Sexta-feira. O dia psico-terapêutico. O dia do sorriso Pasta Medicinal Couto - contaram-me no outro dia, que há quem combata o capitalismo, até na hora da higiene oral (e a doida sou eu..). O dia em que anseio pela hora de saída do trabalho para dormir a sesta. Dormir a sesta para poder não dormir à noite.
São 11h da manhã. Começam as trocas de mensagens para celebrar mais um fim-de-semana. Uma começa por dizer que ontem teve a visita de um homem com barba que lhe levou “uma prenda”, mas que não era o Pai Natal. Outra goza com as pessoas que a acolheram o fim-de-semana passado, mas que merecem ser gozadas. Eu... bem… eu, na falta de prendas e cenas tristes, avanço cheia de segurança: eu hoje vou partilhar fluidos orgânicos com um homem com barba. Mas tratei logo de esclarecer: o dito homem vai recolher a minha ranhoca e o meu sangue para fazer análises. É… a febre não vai embora.

E a meio da tarde fez-se luz...
Após um ano de torturas e milagres.
Após alguns meses de vários tipos de abstinência.
Após um jantar em que poderiam ter sido 13 à mesa, não fossem “os colas” de última hora.
Hoje dou por mim a oferecer o meu ranho e o meu sangue.
Adorem-me!
Eu sou Jesus, versão século XXI.
(Caracois-L)

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Faz frio lá fora...

Faz frio lá fora! O céu está cinzento... Agora não chove.
É Dezembro!
Há algo diferente hoje... Não sei... Foi de repente, mas tudo ficou diferente hoje...
Não sei dizer como começou. Apenas comecei por sentir a tristeza invadir-me. Estupidamente dizemos: "Ah, é do tempo!".
Não, não é do tempo... Ou melhor... é do tempo! Não do clima, mas do Tempo...
Tempo que não volta atrás!
Tempo que dói!
Tempo que gela, que me faz gelar.
Tempo que passa depressa, sem nos apercebermos.
Tempo que infelizmente não volta atrás.
Hoje, olhando á minha volta, vejo o que o tempo me fez.
Estou maior! É verdade, cresci! Estou mais forte... Mas também sei que nunca fui propriamente fraca. Mas hoje... Hoje sinto-me fraca, mais fraca!
Há muito que não me sentia assim... Invadiu-me a saudade... Saudade! (suspiro)
Sim, suspiro! Suspiro por ti... Suspiro pelo passar do tempo. Tempo que não volta atrás!
Fazes-me falta!
Sinto a falta... Hoje mais do que ontem... Porquê?
Não sei... Estou sozinha agora. Talvez por isso.
Perdi-me no pensamento. Perdi-me sozinha na saudade!
É Dezembro!
Está frio lá fora...

(há muito que não me dava para isto)

(Caracois - S)


lady of ice

Tocarem-me nas mãos é uma invasão do meu espaço. Dou mais facilmente um abraço ou um beijo que uma carícia na mão de outra pessoa. Simbolismo tonto? Talvez. Mas um dos maiores símbolos dos meus territórios privados, um portal místico, sei lá.
Hoje pediram-me a opinião num assunto. Assunto delicado. Assunto penoso. Assunto difícil de avaliar, quando os meus próprios assuntos não estão resolvidos.
Acedi ao pedido.
Porque vejo uma sombra do que essa pessoa pode já ter sido.
Porque ainda assim, gosto dessa sombra.
Porque vejo um coração que teima em bater baixinho, tão baixinho que faz o sangue chegar tímido às mãos.
Porque tem umas mãos bonitas.
Porque tem umas mãos geladas.
Acedi ao pedido.
Não porque me considere capaz de lhe dar resposta.
Não porque considere que devesse dar resposta.
Não porque considere que a minha opinião o fizesse sentir melhor.
Acedi ao pedido.
Porque quis.
Porque me revejo na sua história.
E porque as minhas mãos, tantas vezes, também gelam.
(Caracois-L)