domingo, 28 de junho de 2009

a importância de se ser moiteiro

Ser natural da moita, é ser uma pessoa afoita e aficionada… apesar de termos nascido quase todos na maternidade Alfredo da Costa, no Montijo ou em Alhos Vedros… e de haver muitos de nós que cresceram ser ter assistido a uma única corrida de toiros. O que realmente nos marca a todos, e sem excepção, são os rituais sociais. Então o que faz de nós pessoas tão especiais? Após longa pesquisa e trabalho de campo, são estes os resultados:

- toda a gente acredita que tem um grande segredo, apesar de saber com detalhe a vida dos outros todos;

- há sempre alguém que sabe mais da tua vida do que tu próprio;

- sabes o nome de toda a gente, onde mora, quem são os pais, onde trabalham, quem já namorou com quem, as suas notas desde a escola primária e quais são a sua cor e sabor de gelado favoritos, apesar de nunca teres falado com metade deles;

- afirmas com convicção que és uma pessoa humilde, mas as festas onde vais são sempre as melhores, a tua roupa é sempre a mais gira e os teus problemas são sempre os mais dramáticos;

- a pior coisa que alguém te pode fazer, é pedir “não contes a ninguém” depois de desabafar contigo; massacras-te durante duas semanas para guardar o segredo do teu amigo para depois descobrires que ele já contou a mais 20 “amigos de confiança”;

- vais comprar uma lata de atum à mercearia da tua rua e dizes “a minha mãe depois paga”, apesar de já trabalhares há mais de 5 anos;

- vais marcar férias na semana da Festa até te reformares;

- uma das tardes mais atarefadas do ano consiste em ver a Procissão passar, correr para a tasca mais próxima para beber 5 minis de enfiada, logo de seguida correr para casa para o jantar de família do Domingo da Festa, comer à pressa e voltar à tasca;

- desafias a resistência do teu fígado e da tua sanidade mental, obrigando-te a acordar cedo e ainda meio alcoolizado após 8 dias de Festa, para ires para o pó da Avenida, comer e berber tudo o que te apareça à frente sem restrições, dançar e saltar a tarde inteira, tirar fotos de preferência com as pessoas mais feias que por ali andarem, e manter-te de pé até à manhã seguinte.... essa mítica jornada que dá pelo nome de Tarde do Fogareiro;

- pelo menos uma vez por ano tiras uma foto na rotunda do toiro;

- passas a vida a queixar-te que aqui não se passa nada, mas cada vez que alguém te convida para sair daí estás muito cansado, ou tens pouco dinheiro, ou já tens outras coisas combinadas, ou tens a sensação que estás a ficar doente, ou o teu cão tem amigdalite, ou vai dar o último episódio de uma coisa qualquer, ou se calhar é capaz de chover, ou simplesmente não vai dar para ir….;

- o melhor programa de uma tarde de domingo: sentares-te numa esplanada a tarde inteira a beber imperiais como se não houvesse amanhã, a falar (bem ou mal, não interessa) dos que não estão na esplanada, dos que estão nas outras mesas da esplanada e daquele que estava na tua mesa mas que acabou de se levantar para ir buscar mais uma bebida ou ir ao WC;

- falas mal, dizes que a terra nunca há-de evoluir, que é feia, mal gerida e enfadonha…. Mas sempre que alguém te pergunta de onde és, enches o peito e dizes confiante: SOU DA MOITA!
(Caracois-L)

2 comentários:

Andreia disse...

palavras para que?
Só nunca fui a tarde do fogareiro, porque sou daquelas pessoas que passou 8 dias a beber e a acordar bebada para ir trabalhar,num café onde aturo o resto do dia, os meus amigos bebados, e donde saio tarde e más horas para continuar a beber, nos ultimos 2 dias que me restam.

Maria disse...

Não me consegui enquadrar em todos os pontos desta definição de "moiteiro". Ok... sou de outra geração. Não precisas de mo lembrar!!! Mas é bem verdade essa de nos orgulharmos em dizer "sou da Moita". Mesmo que passemos o tempo a dizer mal do que lá se passa e de acharmos que é um atraso de vida. Ser moiteiro é... isso mesmo.